A S T R O L O G I A

IDENTIDADE
O ano civil, o do calendário que é actualmente o nosso, começa no primeiro dia do mês de Janeiro.
Esta data, no entanto, nada tem de dinâmica, situando-se no coração de uma estação aparentemente afrouxada em relação a tudo o que vive. Essa vida terrestre retoma, pelo contrário, a sua força e desenvolvimento com a chegada do equinócio da Primavera. Por isso em Astrologia, preferimos referir o 21 de Março para fixar o primeiro dia do ciclo anual das quatro estações. Eis a razão pela qual, no Zodíaco se coloca o signo do Carneiro em primeiro lugar. É mais conforme a Natureza fazer começar o ciclo anual na Primavera, época da germinação das plantas período da renovação geral, em que tudo se conjuga agradavelmente para mostrar aos homens um eterno recomeço da força, da alegria, da beleza, da Luz. Depois das angústias do Inverno, a esperança da felicidade reaparece, cada ano, aureolada de uma oportunidade nova.
É pois no signo do Carneiro que o Sol volta a nascer a 21 de Março, signo em que se manterá até 20 de Abril. Diz-se, daqueles que nasceram entre estas datas, que estão sob a influência do Carneiro. Expressão figurada, mas sumária.
UM JEITO DE SER
O Carneiro simboliza os inícios É o primeiro signo que inaugura a ronda do Sol através do Zodíaco fixo celeste Símbolo do Cordeiro de Deus, do Menino - Deus do cristianismo, representa o frescor, a integridade e a espontaneidade.
O Carneiro quer fertilizar e manifestar a sua força de maneira visível.
Aprendendo a ajustar-se às pressões e à presença do Mundo, pode chegar a realizar muito do que deseja, principalmente se cultivar a persistência de um certo espírito distanciado, pelo menos de vez em quando.
O Carneiro lidera as pessoas naturalmente, mas não porque deseje ser líder, mas sim porque quer o poder para fazer as coisas sem que ninguém faça cobranças. O que significa que o Carneiro aguenta bem a solidão da impopularidade e não precisa de tanto reforço social ou aprovação quanto a outros signos. Assim, torna-se protótipo de herói de qualquer época, que segue o seu trilho solitário e pioneiro, mesmo sob a descrença ou a valia dos outros.
A qualidade do Fogo, que anima o Carneiro, fala muito alto. Não há muita preocupação em saber se a acção é razoável, prudente, prática ou até mesmo eficaz. Lida muito mal com hipocrisias e mentiras e prefere as explosões de raiva de curta duração ao ódio temperado em “ banho maria “ anos a fio.
SIMBOLISMO E MITOLOGIA DO CARNEIRO
Na rota dos Astros, como no comportamento da Natureza sobre a Terra, o ano parece realmente começar a 21 de Março, primeiro dia da Primavera, “ Equinócio da Primavera “, em que a noite é igual ao dia, ponto vernal, base de qualquer observação. O Sol passa, nesse dia, por um ponto preciso, onde a eclíptica corta a linha equatorial. Nesse dia, o Sol, ao passar pelo ponto 0 do Carneiro, deixa o hemisfério austral pelo hemisfério boreal.
A reacção dos seres vivos é alegre, tudo parece querer saltar e correr, aquecer-se e divertir-se. É bem isto o que exprime o símbolo atribuído a este período do ano, esse animal que, na sua infância, ainda cordeiro, é uma bela imagem de alegria saltitante e, que, na vida adulta, é o condutor do rebanho, com um poder natural actuante e arrebatador.
O signo do Carneiro está imediatamente a seguir ao signo dos Peixes, último signo do ano Zodiacal precedente, porque o Zodíaco é um círculo fechado. A renovação segue-se à fusão das neves, como o renascimento da Humanidade se seguiu ao Dilúvio.
Encontramo-nos diante uma imagem que serviu de ponto de partida e de guia a todas as religiões, a todas as tradições e a todas as filosofias.
Nos Hindus, o Deus Criador é representado montado num carneiro.
Existiu, na Pérsia antiga, um Deus com a forma de um carneiro.
No Egipto, o Deus era o Sol, e chamava-se Amon’Rá. Era representado com uma cabeça de carneiro.
Na mística cristã, o Cristo é associado ao cordeiro.
Mas o simbolismo mais interessante é o da mitologia Greco-Romana :
Neptuno, divindade dos mares, teria procriado um carneiro divino, cuja lã era feita de ouro puro.
Redescobrindo esta lenda, vamos saber como é a personalidade dos nativos do signo zodiacal do Carneiro.
Em Tebas reina um soberano chamado Atamas; ele é, simultaneamente, sacerdote de Zeus-Lafístico, o que o leva a celebrar sacrifícios rituais, matando um carneiro sobre o Altar da Divindade.
Atamas tem como esposa uma deusa: Nefele, cujo nome significa « nuvens », de quem tem duas crianças: Hele, dita « A Luminosa », e um rapaz, Prixos, cujo nome quer dizer « O Anelado ».
Ora Atamas, cansado de Nefele, repudia-a, e torna a casar-se com Ino, que, como madrasta clássica, detesta as duas crianças, e, segundo a lenda, procura matá-las.
Depois de provocar uma terrível fome no reino, incita o esposo a consultar um oráculo, que, porque ela o « comprasse » ou lhe deformasse as respostas, interpretando-as, pede o sacrifício de um carneiro chamado « O Anelado ». Prixos sente que a morte o espreita, pois que se chama « O Anelado », e pede socorro a sua mãe Nefele, que se refugiou no Olimpo, junto dos Deuses. Nefele faz surgir uma nuvem, que toma a forma de um carneiro de ouro que vem pôr-se à disposição de Hele e de Prixos.
Toma-os sobre o dorso, entre os anéis do seu velo de oiro, e leva-os para a luz, de facto, até ao Oriente. No decurso da longa viagem pelos ares, Prixos adormece e afrouxa a pressão pela qual retinha a irmã Hele; esta cai, e mergulha no estreito dos Dardanelos, que desde então, se chamará Helesponto, em recordação dela. Chegado à Cólquida, país na Ásia, o carneiro deposita lá Prixos.
Para se instalar na Cólquida, é necessário agradar ao rei desse país, chamado Aetas.
Ora Aetas exige uma oferta de grande valor, e Prixos nada possui « Mata-me – diz o carneiro -, pois pertenço-te, e oferece-lhe o meu velo de oiro.”
Esta passagem exprime bem, até que ponto os nativos do Carneiro têm espírito de sacrifício.
Mas exprime também a sua pouca continuidade nas ideias, ao descrever como Prixos deixou cair a irmão ao mar.
Numa palavra, o rei guarda o velo de ouro, e esconde-o num bosque cerrado, guardado por um Dragão que nunca dorme, e Prixos casa com a filha dele.
É este velo de ouro que Jasão procurará com os seus Argonautas.
Veremos, ao traçar o perfil do nativo do Carneiro, que a mitologia nos ajuda muito a compreendê-lo.
RETRATO DO NATIVO DO CARNEIRO
Todos os dados que acabam de ser desenvolvidos quanto ao signo zodiacal do Carneiro e dos seus nativos vão intervir agora na discrição do tipo puro de nativo de Carneiro.
O nativo do Carneiro está impregnado da força primaveril que faz ascender a seiva, e que permite às plantas levantarem pesadas pedras para aceder à luz do Sol. É uma força primitiva, natural, instintiva e irresistível. Com o é que isto s e traduz, nos rapazes e raparigas da nossa complexa sociedade, do nosso Mundo civilizado ?
O « Carneiro » não conhece senão a sua própria vontade. Tem consciência disso desde, a mais tenra idade, e afirma-se como ser individual e único, através da cólera e da violência: o bebé do Carneiro grita no berço, e isso sem que nem sempre se saiba porquê. Tem birras, dizem as mães, inquietas. Não, minhas senhoras, ele afirma-se . Anuncia-se. Toma posse da sua vida própria.
Esta consciência de si, apodera-se dele muito cedo, e isso será o elemento principal do seu carácter de adulto: ele é assim, impõe-se assim aos outros, e, contra os que o não aceitam, encoleriza-se. É dinâmico e dinamizante. É estimulante, mas, por vezes, não se deseja ser estimulado. Acham-no então provocante, mas logo se verifica, vinda a calma, que tinha razão para o ser.
O « Carneiro » é um individualista absoluto; tem confiança em si; quando tem uma ideia remexe céu e terra para a realizar; isso cria no seu meio remoinhos e, até, turbilhões; não se preocupa com isso, certo como está de ter razão, e de que os outros são uns moles. Fala com vivacidade e, se em geral exprime a verdade, di-la com uma tal crueza, com uma tal despreocupação pelas consequências do que diz, que facilmente ganha inimigos. Mas este pormenor é-lhe indiferente; se não decidiu ser ele próprio o inimigo, pode-se contrariá-lo, declara-se indiferente a quaisquer oposições. Não se pode manter com ele discussões calmas e amigáveis, pacíficas e instrutivas. Aquilo que ignora, aprenderá sozinho e quanto ao que sabe, não sente a necessidade de o pôr em causa. Como segue os impulsos com a cabeça baixa, avançando direito ao obstáculo, as discussões, que noutros poderiam prolongar-se amigavelmente, durante horas, num plano abstracto, tomam com ele um tom de realidade tão vivo que a troca de pontos de vista muitas vezes termina numa disputa violenta, da qual se sai indisposto.
Fisicamente, o « Carneiro » é vivo, esperto, rápido, hábil, infatigável. Não tem complicações, e vive da maneira mais directa possível. Aquilo que espantará sempre o seu meio, é a sua recusa em compreender que os outros não façam com ele. « Complicam a Vida », eis uma observação que sai muitas vezes da sua boca.
A psicologia é das que se chamam « Primárias », porque nele é a primeira impressão que conta; reage com uma rapidez surpreendente, mesmo para aqueles que o conhecem bem, e, segundo os factos, as palavras, as atitudes que o chocam, reage com uma vivacidade e uma intensidade tais que deixam o meio surpreendido, espantado, sem compreender e impotente.
Não se interessando senão pelo momento presente, depressa o « Carneiro » esquece as suas reacções. Não guarda rancor, nem ódio, nem muito menos remorsos, tanto mais que não suputa
longamente de antemão actividades complexas, cujos efeitos só se produzem a longo prazo. É-lhe necessário desejar logo ou então desinteressar-se.
É o rei da improvisação. Como tem muito sentido prático, e uma grande rapidez de concepção intelectual, pode ter achados notáveis, nos quais parece mesmo nunca ter pensado; não lhes dá, aliás, um valor por aí além, e espanta-se com a admiração que suscita nos outros. È muitas vezes levado a pensar que os « outros » são excessivamente lentos.
O « Carneiro » é, por instinto, um optimista. Ele, que veio ao Mundo no momento em que a vida acabava de vencer todas as dificuldades do Inverno, como não poderia deixar de sê-lo ? Com a sua espontaneidade, força, vitalidade, vivacidade, seria inconcebível que não estivesse a rebentar de esperança, como um rebento se abre sob o impulso das folhas jovens que contém.
O Zodíaco não mede a inteligência; mas age sobre a qualidade.
A inteligência de um « Carneiro » é sobretudo intuitiva; esta é aliás a condição da rapidez que se acaba de afirmar. Essa intuição leva, de bom grado, o indivíduo para soluções novas, invenções, acções originais, longe dos terrenos batidos.
Este carácter tem dois lados, a medalha tem o seu reverso. Impulsivo, rápido e absoluto, o « Carneiro », para quem tudo é preto ou branco, quase sem matizes intermediários, é muitas vezes vítima da sua irreflexão. É igualmente bastas vezes vítima de uma relativa instabilidade; relativa porque não atinge a psicopatia, mas chega para o fazer abandonar numerosos projectos em vias de execução; aqui, no entanto, a vontade actua muitas vezes, forçando-o a persevar, contra o seu gosto e instinto.
É original, voluntarioso e vivo, portanto indisciplinado; mas sabe comandar e fazer-se obedecer perfeitamente. Resultado: dotado para a carreira das armas, não é um bom subalterno, mas pode tornar-se um oficial com uma brilhante carreira.
ASCENDENTE
Para definir o sentido da palavra « ascendente » nos textos astrológicos é necessário começar por abstrair do sentido geral da palavra.
Quando, em Astrologia, se fala da palavra « ascendente », nem por sombras se pensa nos pais e avós que terão podido transmitir certos traços característicos seus; pensa-se, simplesmente, no signo do Zodíaco que se encontra na linha do horizonte a leste do observador situado, sobre a Terra, no ponto em que o indivíduo nasceu. No momento desse nascimento, o Céu apresentava uma dada configuração; cintura zodiacal, que parece mover-se em volta da Terra, e mostrar, um a um, cada um dos doze signos em 24 horas, estava numa dada posição.
O ascendente define-se, portanto, astrologicamente falando, como o signo do Zodíaco que, no momento de nascimento do indivíduo, e no ponto em que teve lugar esse nascimento, se encontrava em ascensão no horizonte. Quem já viu o que é uma Aurora, o nascer do Sol, esse acordar da natureza, esse ímpeto que precede o dia, dá-se conta da importância que pode tomar esse signo ascendente. Ele lança na alma, no espírito do indivíduo, traços de carácter, pulsões, motivações, desejos que modificam claramente o comportamento que recebeu, em princípio, do signo sob o qual nasceu. È por isso que, decifrar a personalidade do indivíduo, o conhecimento do seu ascendente é necessário. È preciso, por consequência, poder determinar, com certa exactidão, a hora de nascimento.
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